Mais de 1.5 milhão de brasileiros foram infectados com hepatites virais, mas desconhecem ser portadores da doença, de acordo com o Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig). O fato de a condição apresentar poucos sintomas é um dos seus grandes perigos. Em 20 anos, o Ministério da Saúde realizou pouco mais de 510 mil diagnósticos de hepatites B ou C1. Por conta das dificuldades de detecção da doença, o governo instituiu o Julho Amarelo para promover ações de conscientização, testagem e diagnóstico voltadas para as hepatites virais.
Em celebração ao nascimento do cientista Baruch Blumberg, que descobriu o vírus da hepatite B, a data 28 de julho foi escolhida como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, posteriormente se expandindo para o mês inteiro. Para celebrar o Julho Amarelo, o Monumento ao Cristo Redentor foi iluminado na cor amarela na quinta-feira, 28 de julho, às 19h.
No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus B e C, que podem levar a complicações como doença hepática crônica, cirrose hepática e câncer.
As hepatites virais são, na maioria das vezes, doenças de natureza silenciosa, que se caracterizam por um processo inflamatório persistente no fígado sem que o paciente apresente sintomas. Aproximadamente 60% a 85% dos casos de hepatite C se tornam crônicos e, em média, 20% evoluem para cirrose ao longo do tempo².
De 2000 a 2019, 78 mil pessoas morreram no Brasil por complicações decorrentes de hepatites virais, segundo o Ministérios da Saúde. As hepatites virais B e C são as mais prevalentes e afetam 325 milhões de pessoas no mundo, causando 1,4 milhão mortes por ano. A Organização Mundial da Saúde indica que as hepatites virais são a segunda maior causa de morte entre as doenças infecciosas depois da tuberculose, sendo uma infecção 9 vezes maior do que as registradas pelo vírus HIV.
Presidente do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), Isaac Altikes reforça que o Brasil é um dos países que aderiu a proposta da Organização Mundial de Saúde para diminuir novos casos de infecção pelo vírus da hepatite C, o HCV, em 90% e a mortalidade em 65% até 2030. "O teste é o ponto crítico, pois o maior desafio hoje no país é a identificação de indivíduos infectados em diferentes regiões, sobretudo devido à característica assintomática da infecção", afirma. “Precisamos levar informações para a população porque quando falamos para as pessoas se testarem para as hepatites virais, muitas vezes elas sentem que não estão em risco por não sentirem nada. Mas, se pararmos para refletir, todo mundo já foi exposto à alguma situação em que poderia ter sido contaminado, desde fazer as unhas até ir ao dentista. Essa necessidade se torna ainda mais crítica para pessoas acima dos 40 anos”, explica.
Sintomas comuns da doença como febre, fraqueza, mal-estar, dor abdominal, perda de apetite e olhos e pele amarelados costumam ocorrer apenas em estágios mais avançados. Isaac alerta que a população em geral, sob maior risco de infecção pelo HCV, tem pouco conhecimento sobre os riscos potenciais da doença e a baixa aderência a testagem voluntária.
O tratamento da hepatite C é realizado com o uso dos antivirais de ação direta, distribuídos pelo SUS, com duração entre 8 e 12 semanas e apresenta taxas de cura de mais de 95% para a maior parte dos pacientes. E o tratamento da hepatite B é realizado com análogos de nucleot(s)ídeos (mediações orais com mínimos ou nenhum efeitos colaterais) ou Peginterferon distribuídos pelo SUS, uso a longo prazo, com distribuição, também, pelo SUS.
Sobre o Grupo de Fígado do Rio de Janeiro - Com mais de 30 anos de existência (comemorados em 2021), o Grupo de Fígado do Rio de Janeiro (GFRJ) é a sociedade regional de Hepatologia mais antiga do país. A meta do GFRJ sempre foi divulgar informações sobre as doenças hepáticas, principalmente, as hepatites virais (pela prevalência) e também a educação continuada em relação às doenças relacionadas ao acometimento hepático.

