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Cristo Redentor iluminado pelo Dia Internacional do Lixo Eletroeletrônico

Na sexta-feira, dia 14 de outubro, o monumento ao Cristo Redentor foi iluminado nas cores vermelha, azul e verde pelo Dia Internacional do Lixo Eletrônico.

14/10/2022
Cristo Redentor iluminado pelo Dia Internacional do Lixo Eletroeletrônico

Na sexta-feira, dia 14 de outubro, o monumento ao Cristo Redentor foi iluminado nas cores vermelha, azul e verde pelo Dia Internacional do Lixo Eletrônico. A data foi criada em 2018 pelo WEEE Forum, maior centro multinacional de competência do mundo no que diz respeito ao know-how operacional relativo à gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, e marca a necessidade de enfrentar o grave desafio do crescente acúmulo de lixo eletrônico no planeta.

No ano passado, 172 organizações de 78 países participaram do #ewasteday. O Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor participou dessa iniciativa em 2021 e, junto à Startup Reciclotron, iniciou um trabalho de conscientização popular para transformação cultural e incentivo à adesão da população a práticas regulares de reciclagem e consumo consciente.

Segundo a plataforma da Organização das Nações Unidas (ONU) “The Global E-waste Monitor”, são produzidos mundialmente 53 milhões de toneladas anuais de lixo eletroeletrônico, pilhas e baterias. A taxa cresce entre 3% e 4% ao ano, sendo que apenas 16% é reciclado e recebem uma destinação ambientalmente sustentável. Seguindo essa previsão, até 2030 estaremos produzindo cerca de 60 milhões de tons/ano: o equivalente a 290 mil Estátuas da Liberdade.

No Brasil, os números são ainda mais preocupantes, 5o maior produtor mundial com cerca de 2 milhões de toneladas anuais, recicla menos de 1% do lixo eletroeletrônico de forma certificada, causando sérios impactos negativos.

Quando descartados em lixões, esses produtos podem liberar substâncias tóxicas na água, no solo e no ar, com metais pesados como chumbo, arsênico, cadmio e mercúrio. Além da contaminação, representa também um enorme desperdício econômico, superior a R$12bilhões por ano, somente em insumos que poderiam retornar à cadeia produtiva, como metais nobres e plásticos especiais.

Alguns avanços podem ser vistos no marco regulatório. O Decreto Federal no 10.240 / 2020 tornou obrigatório para fabricantes e importadores de eletroeletrônicos a implantação de um Sistema de Logística Reversa, e estabeleceu metas para trazer o Brasil a níveis mais compatíveis com a média internacional. O Decreto no 10.936/2022 incluiu a obrigatoriedade de integração ao Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR) para melhorar a fiscalização, enquanto o decreto no 11.044/2022 instituiu o certificado de crédito de reciclagem, garantindo que as empresas possam cumprir suas metas através de créditos de logística reversa. Empresas que não estiverem em conformidade poderão sofrer sanções de até R$50 milhões, além do embargo de licenças.

Os resultados dessas medidas começam a ser sentidos, apesar de tímidos. Os dados do setor mostram um avanço no número de Pontos de Entrega Voluntários (PEVs) e coletas recordes. Entretanto, os números ainda são muito baixos, no patamar de 17.000 toneladas, suficiente para a meta de 2021 de destinar 1% da produção. Entretanto, revela sinais de dificuldades já para a meta de 2022 de chegar a 3%. O desafio se torna especialmente preocupante considerando para 2025 reciclar 17% em peso do lixo eletroeletrônico descartado por ano. O Ministério do Meio Ambiente estima esse alvo em 150 mil toneladas, enquanto os dados da ONU apontam para 255 mil toneladas.

A falta de conscientização e engajamento das pessoas vem sendo apontada como um dos motivos para números tão reduzidos. Pesquisa de 2021 da Green Eletron mostra que 75% dos entrevistados não sabem que eletroeletrônicos podem ser reciclados e 87% da população guarda algum tipo de resíduo em casa. Apesar do conceito de reciclagem ser frequentemente apoiado pela população, poucos praticam. Durante a pandemia da covid- 19, por exemplo, muitos trocaram equipamentos para o home office. Mas a maioria não sabe o que fazer com os antigos, o que pode reciclar, como descartar e nem seu valor. Para enfrentar esse desafio, estudantes da PUC Rio e pesquisadores da UFF estudaram a questão e desenvolveram uma solução para ligar quem quer reciclar com quem recicla, como um ecossistema gamificado de incentivo à reciclagem e ao consumo consciente. A plataforma digital da startup RECICLOTRON, criada na UFF Nova Friburgo e acelerada pelo SEBRAE Startup Win, transforma o lixo eletroeletrônico num ativo digital, valorizando a atitude do consumidor sustentável de reciclar.

Funciona assim: as pessoas cadastram os descartes e recebem Reciclopontos em troca, conforme tabela de conversão. Os créditos se acumulam numa carteira digital e valem ofertas na rede de parceiros de produtos e serviços eco conscientes, como alimentação orgânica, produtos biodegradáveis, equipamentos de baixo consumo de água/eletricidade, ou produzidos localmente, incentivando a cadeia da bioeconomia. Dessa forma, o consumidor descobre que pode se beneficiar de um patrimônio esquecido nas gavetas e armários de casa e conhece novas opções de consumo sustentável.

A rastreabilidade dos dados garante transparência, gera informações e permite o acompanhamento da destinação até a geração do certificado de destinação final. Produtos em bom estado são recondicionados e direcionados para projetos de educação ambiental, arte com resíduos, ou para equipar salas de inclusão digital.

Preocupado com a urgente questão de apoiar práticas de vida mais sustentáveis, conforme princípios estabelecidos na encíclica Laudato Si, do cuidado com a Casa Comum, o Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor participa ativamente de projetos no eixo de promoção da sustentabilidade. A solução desenvolvida pela Reciclotron foi abraçada pelo Cristo Redentor devido ao potencial de atuar na transformação cultural da sociedade.

A iniciativa foi incluída no planejamento estratégico decenal do Santuário, realizado junto à Fundação Getúlio Vargas (FGV), dentre os projetos prioritários para apoio à implantação da Agenda 2030. As iniciativas preliminares desenvolvidas em conjunto com a Reciclotron incluem a instalação de PEVs na Paróquia São José da Lagoa e na sede administrativa do Santuário, que fica na Obra Social O SOL, no Jardim Botânico, assim como campanhas conceituais no Rio de Janeiro e Nova Friburgo, resultando em mais de 8 toneladas de resíduos eletroeletrônicos coletados e destinados de forma ambientalmente responsável.

O conceito ganha vida na própria iluminação do monumento ao Cristo Redentor com as cores da sustentabilidade, destacando as dimensões de preservação ambiental, desenvolvimento social inclusivo e desenvolvimento econômico responsável, conforme práticas ESG – Environmental, Social and Governance. “O Monumento ao Cristo Redentor desperta o melhor de nós. Os braços abertos, a serenidade, o acolhimento e a firmeza no olhar nos estimulam a enfrentar os desafios e buscar um mundo melhor. Iluminar o Cristo Redentor com as cores da sustentabilidade, no Dia Internacional do Lixo Eletrônico, marca uma firme posição sobre o urgente problema de enfrentar o desperdício e a contaminação causados”, destaca Claudio Fernandes, Professor da UFF Nova Friburgo e coordenador institucional da Reciclotron.