A Angina, uma condição que afeta mais de 10% da população brasileira, foi lembrada nessa terça-feira, 18 de abril, com uma ação no Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor. O monumento foi iluminado na cor vermelha com o objetivo de alertar e conscientizar sobre a doença cardiovascular, que é silenciosa e uma das principais causas globais de incapacidade prematura e morte.
Angina é o nome dado à uma condição médica caracterizada pela falta de sangue(isquemia) para nutrir o músculo cardíaco. Esse déficit causa como principal sintoma a dor no peito, desconforto e pressão, que podem ser desencadeados pelo estresse ou esforço físico. Geralmente, a Angina é a ponta de um iceberg, pois pode estar relacionada a doenças que causam obstrução nas artérias responsáveis por levar sangue ao coração(coronárias). O diagnóstico é clínico e se baseia essencialmente no relato do paciente, características da dor e sintomas associados.
O cardiologista Ricardo Pavanello, chefe da Seção de Coronariopatias do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Fellow da Sociedade Europeia de Cardiologia, explica que a Angina pode ser um sinal de alerta para o infarto. “O infarto é a expressão máxima da Doença Coronariana, que se exterioriza por meio de sintomas, sendo a Angina o principal deles”, alerta.
Como a sensação de dor no peito, em geral, cessa após a retirada do estímulo que a causou, como a interrupção da atividade física, é comum que o problema seja negligenciado.
Porém, com o passar do tempo, a Angina pode se agravar, tornando a dor mais frequente, limitando o paciente e prejudicando sua qualidade de vida. “Além disso, mesmo um paciente com sintomas leves, pode apresentar uma Doença Coronariana grave. Por isso, é importante buscar ajuda já nos primeiros sinais”, destaca Dr. Pavenello.
Para tratar a Angina é preciso, em primeiro lugar, identificar a causa. O cardiologista explica que o problema pode aparecer devido à obstrução nas artérias coronárias (ateroesclerose), que é uma causa que pode ser tratada com medicamentos ou com intervenções como colocação de stent e cirurgia de revascularização, ou ser causada por problemas na microcirculação. “Nos dois casos, além das técnicas de revascularização, é necessário seguir o tratamento com medicação. A intensidade e o tipo de medicação vão depender da causa”, ressalta.
O tratamento da Angina reduz os sintomas e melhora a qualidade de vida da pessoa, além de reduzir as chances de infarto.
Um estudo que analisou os dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), verificou que mais de 10% da população brasileira acima de 18 anos sofre com a Angina. A maior prevalência está nos estados do Norte e do Nordeste do país, atingindo maioritariamente mulheres de forma leve (9,8%) ou moderada/grave (5,5%) e pessoas acima dos 60 anos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, levando cerca de 17,9 milhões de vidas a cada ano.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são de 300 mil a 400 mil casos anuais de infarto, sendo que, de cada 5 a 7 casos, ocorre um óbito.
Campanha
A ação de iluminação do Cristo Redentor faz parte da campanha de conscientização, engajamento e educação voltada para saúde cardiovascular do programa Sempre Cuidando, dos Laboratórios Servier do Brasil. O projeto, que neste mês tem a Angina como foco, busca contribuir com a conscientização acerca da importância do conhecimento sobre a Síndrome Coronariana Crônica e a adesão ao tratamento, além de abordar suas possíveis evoluções e complicações, que, caso não sejam tratadas, podem resultar na Síndrome Coronariana Aguda. A iniciativa está em linha com o objetivo de responsabilidade social da Servier do Brasil, espalhando conhecimento sobre a doença e demais riscos cardiovasculares.
De acordo com o cardiologista e Diretor Médico dos Laboratórios Servier do Brasil, Abraham Epelman, o Brasil vive hoje uma pandemia tão grave e bem mais antiga, porém não tão valorizada e reconhecida, que a da Covid-19: a pandemia da mortalidade cardiovascular. “Há muitas décadas, cerca de 300 a 350 mil brasileiros morrem anualmente em decorrência de problemas cardiovasculares. Um conjunto de fatores contribui para esse cenário, mas o primeiro deles é justamente a falta de entendimento e de conhecimento por grande parte da população sobre essa doença, a importância ao acesso aos tratamentos mais eficazes, modernos e seguros, e o seguimento a longo prazo, pois se trata de uma doença crônica”, destaca Epelman.
O cardiologista explica que a campanha se propõe a divulgar e intensificar a comunicação do que é a doença cardiovascular, suas ameaças, consequências, como evitá-la e tratá-la. “Acreditamos que é necessário entender bem a doença para poder se engajar no tratamento, mudar o estilo de vida, fazer atividade física, respeitar dieta, parar de fumar, perder peso. Tudo isso com as devidas orientações médicas e de outros profissionais de saúde”, enfatiza o cardiologista Abraham Epelman.


