Ontem foi celebrado o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. E para reconhecer a importância da população negra, com seus movimentos sociais e culturais, o Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor realizou uma cerimônia nessa quinta-feira, 21 de novembro, com a presença de quilombolas de todo o estado do Rio de Janeiro e de integrantes do Instituto Luiz Gama, que atua em questões étnico-raciais e de minorias, de modo a promover a defesa e efetivação dos direitos humanos.
O instituto assinou um Termo de Parceria com o Santuário para promover a elaboração de projetos, eventos e pesquisas. Estiveram na cerimônia o presidente do Instituto Luiz Gama, Renato Aparecido Gomes, e o diretor administrativo, Camilo Onoda Caldas. “O Instituto Luiz Gama conhece e admira o trabalho e os projetos do Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Ficamos muito satisfeitos em estabelecermos essa parceria para juntarmos esforços em prol de agenda, em prol do respeito à dignidade humana. Para nós, a semana do dia 20 de novembro é ainda mais especial, pois trata-se de valorizar o Dia da Consciência Negra, o enfrentamento ao racismo e todas as formas de discriminação”, destaca Renato Gomes.
A parceria estabelecida entre o Instituto Luiz Gama e o Santuário Cristo Redentor visa produzir um ciclo de palestras, debates e eventos sobre direitos humanos, voltados especialmente para mulheres vítimas de violência. A expectativa é de que a iniciativa possa auxiliar as mulheres na defesa dos seus direitos e de sua família, trazendo esclarecimentos a respeito de como prevenir ocorrências e como proceder em casos da violência. “O conhecimento e o acolhimento são ferramentas indispensáveis para garantir a integridade física e psicológica das mulheres e seus filhos e filhas, portanto, o Instituto Luiz Gama pretende somar esforços às iniciativas já existentes no Santuário Cristo Redentor, que promove diversas ações sociais”, avalia Camilo Caldas.
Em união à Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro, o Santuário Cristo Redentor também possibilitou a visita de comunidades quilombolas de Magé, Búzios, Cabo Frio e da capital. São elas: Maria Conga, Bongaba, Baía Formosa, Rasa, Maria Joaquina, Maria Romana, Botafogo, Fazenda Espírito Santo, Pedra Bonita, Camorim e Sacopã.
Sobre o Instituto Luiz Gama
O Instituto Luiz Gama (ILG), sediado no município de São Paulo (SP), é uma associação civil sem fins lucrativos, que surgiu no ano de 2008, a partir da iniciativa coletiva de juristas, acadêmicos e integrantes de movimentos sociais com o objetivo de atuar em causas socialmente relevantes, com ênfase nas questões étnico-raciais e de minorias, de modo a promover a defesa e efetivação dos direitos humanos.
O patrono do Instituto, Luís Gonzaga Pinto da Gama, foi um consagrado intelectual, jornalista, poeta e jurista que atuou na defesa da causa abolicionista e advogou nos tribunais brasileiros, libertando centenas de negros da escravidão. Sua atuação em prol de uma sociedade mais justa e igualitária expressa os ideais do Instituto, cuja atuação é um tributo à memória e ao nome de Luiz Gama. Em 2015, por meio de atuação conjunta com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luiz Gama recebeu o título de advogado honorário dessa instituição, um feito histórico e inédito na história da advocacia.
O Instituto Luiz Gama tem atuado ao longo dos anos em diversas frentes, dentre as quais se destacam: divulgação de informações e notícias por meio de seu site e redes sociais; produção de artigos científicos; participação em fóruns internacionais de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU); realização e apoio de cursos, palestras, exposições e consultorias por todo o Brasil de forma predominantemente gratuita ou com bolsas integrais e parciais; assistência jurídica gratuita para indivíduos e comunidades, sobretudo quilombolas. No Estado de São Paulo, o Instituto Luiz Gama assessorou a criação da Federação Quilombola do Estado de São Paulo.

