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Ato inter-religioso no Santuário Cristo Redentor em memória das vítimas da Chacina de Acari

Luto na Luta: Desistir nunca foi uma opção! Com a presença do coletivo Mães de Acari, da Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e de líderes religiosos

04/07/2025
Ato inter-religioso no Santuário Cristo Redentor em memória das vítimas da Chacina de Acari

Quando a memória se transforma em luta, o silêncio se torna resistência. Há 35 anos, o caso Mães de Acari revelou a dor e a injustiça enfrentadas por mulheres negras de favela que perderam seus filhos e filhas de forma violenta e injusta. Essas mães, que transformaram seu luto em uma luta incansável por dignidade, respeito e reparação, marcaram a história do Brasil ao denunciar violações de direitos e exigir justiça.

O coletivo “Mães de Acari” é um grupo de mães e familiares de vítimas da Chacina de Acari, ocorrida em 1990 no Rio de Janeiro, onde 11 jovens foram vítimas de desaparecimento forçado.

Para homenagear essa trajetória de resistência, foi realizado um ato inter-religioso no Santuário Cristo Redentor, nessa segunda-feira, 28 de julho.  A cerimônia, organizada pelo coletivo Mães de Acari e pelo Projeto Legal, grupo de advogados que acompanha as mães na luta por justiça e reparação, em parceria com o Consórcio Cristo Sustentável, contou com a presença de lideranças religiosas.

O momento de memória é uma oportunidade para se refletir sobre a importância de se repensar as políticas de enfrentamento às violências. O ato inter-religioso teve momentos de oração, falas institucionais e, por fim, um minuto de silêncio, com o desligamento da iluminação do monumento ao Cristo Redentor, em homenagem às vítimas da Chacina de Acari.

“Não podemos fazer padecer e adoecer vítimas por Justiça. Que essa homenagem nos inspire a construir um Brasil mais justo, onde a memória das Mães de Acari seja sempre um lembrete de que desistir nunca foi uma opção”, afirma o advogado Carlos Nicodemos, do Projeto Legal.

“Para marcar e demarcar a memória da história de luta de mulheres negras, de favela, que transformaram seu luto em luta, em busca de dignidade, respeito e reparação, nós nos uniremos em um momento de fé, buscando forças para resistir”, destaca Aline Leite, do coletivo Mães de Acari e irmã de Cristiane Leite.

Diversas representações institucionais estiveram presentes, como Monica Alkmim e Maria Fernanda Fernandes, do Projeto Legal, o procurador federal dos Direitos do Cidadão Júlio de Araujo e a presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Patrícia Oliveira.